Por que aprender cerâmica no torno é mais difícil do que parece (e o que ninguém te conta)

Tem uma coisa sobre o torno que ninguém te conta quando você começa.

Você acha que vai aprender “como faz”:
onde colocar a mão, quanta força usar, quando subir a peça.

Só que não funciona bem assim.

Você pode assistir mil vídeos, ouvir todas as explicações, decorar cada etapa…
e mesmo assim a argila vai abrir, entortar, desmontar na sua frente.

E não é porque você não entendeu.
É porque o corpo ainda não aprendeu.

No torno, não adianta só saber, é preciso antes de tudo sentir.

E isso vem de um jeito meio ingrato: repetindo. Errando. Perdendo peça. Começando de novo, e de novo e de novo

Até que, do nada, acontece uma coisa curiosa.

Um dia… funciona.

Você faz o mesmo movimento de sempre, mas dessa vez a argila responde diferente.
E você pensa: “ah, era isso?”

Como se uma chave tivesse virado.

Mas a verdade é que não foi naquele dia que você aprendeu. Você já vinha aprendendo há muito tempo, só que por dentro.

O torno é isso: um lugar onde o corpo aprende antes da cabeça entender.

E mais do que isso… ele te ensina sobre você.

Se você tá com pressa, tenso, ansioso, a peça mostra. Certa vez, durante uma aula a professora Hideko Honma, me falou que o interior de uma peça é igual um espelho.

A argila devolve tudo. E isso é uma particularidade das peças que nascem no torno.

Por isso, aprender a tornear não é só aprender uma técnica.

É aprender a ter paciência, a prestar atenção. E mais do que tudo a escutar o próprio corpo.

E talvez seja por isso que tanta gente se apaixona. Incluindo eu! Rsrsrsrs

Porque no meio da sujeira, da água, das peças que dão errado… tem um momento em que tudo se alinha.

E você percebe que não é só a argila que está sendo moldada ali.

É você também.

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